sábado, 14 de março de 2015

Uma noite nova

Era dezembro, o natal estava próximo. A família se reunia mais uma vez na casa de praia. Muitos vieram de longe para o encontro festivo. Os primos contavam as novidades do ano que passou. Muitas realizações de ambas as partes. Havia algum tempo que não se falavam. A vida moderna exige de cada um de nós uma dosagem de energia quase inimaginável em séculos passados. O tempo é um artigo de luxo. As pessoas são absolutamente muito ocupadas. Entretanto, mesmo com essa correria do mundo moderno, elas encontram um tempo para pensar e conversar. E são esses momentos, ainda que poucos, que fazem a vida valer a pena. Fosse apenas trabalho e estudo, de que serviria viver? Ser apenas mais um, uma peça de uma grande engrenagem? Nessas condições ninguém seria capaz de encontrar a verdadeira felicidade, qual seja: a de ser um alguém. Ser um alguém para outro alguém. É disso que estou falando. Não de ser uma mera posse, mas de ser alguém, que tem um valor sentimental, não concreto, um valor abstrato, algo que não se pode comprar na loja da esquina.

Por mais severa que seja a vida, ainda há algo de belo a apreciar. Nem que seja admirar a natureza. A fauna e a flora do planeta. Certamente, qualquer um de vocês já ficou encantado com a beleza extrema dos pinguins ou das baleias em alto mar. O lindo canto dos pássaros, ou o doce canto dos grilos ao anoitecer. A vida é bela, tenha certeza disso. Concordo plenamente com a consciência de que nem para todos ela sorri. Mas ainda assim ela é bela. Todos têm a oportunidade de recomeçar. Se não a tem, deveria ser um dever do Estado provê-la. Tudo bem, nem tudo está certo no mundo, pelo menos no que diz respeito à obra do homem neste mundo. Porque a obra de Deus, esta sim, é perfeita. Ou existe algum desequilíbrio na natureza que não tenha sido obra do homem? Chego a pensar que o mal do mundo é o homem. Mas aí me lembro que este também foi obra de Deus. É, talvez a obra de Deus não seja perfeita...

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