sexta-feira, 6 de março de 2015

Sobre o tripé macroeconômico brasileiro

Metas de inflação, câmbio flutuante e autonomia na administração da taxa básica de juros da economia pelo Banco Central são os alicerces da política econômica brasileira adotada no país desde 1999. Abaixo segue comparativo da evolução cruzada desses índices para o período.

Como pode ser observado abaixo, o Banco Central brasileiro continuou reduzindo a taxa de juros em meados de 2012. Entretando, o ipca mudou a sua trajetória cadente e passou a subir no meio desse processo. Nesse momento, o BC deveria ter interrompido o processo de redução da taxa de juros para, logo em seguida, voltar a subir os juros a fim de conter esse processo inflacionário, o que ele não fez.



Adicionalmente, a taxa de câmbio brasileira já vinha em trajetória ascendente, o que indicava claramente que haveriam contínuas pressões inflacionárias. Esses dois índices em conjunto, trajetória ascendente do ipca acumulado em 12 meses e depreciação cambial frente ao dólar, num regime saudável de metas de inflação, onde o BC tem autonomia para definir a taxa de juros sem interferências políticas, são elementos suficientes para orientar a autoridade monetária no sentido da elevação da taxa de juros básica da economia, no caso do Brasil, a taxa selic.


Como isso não foi feito, a independência do Banco Central brasileiro foi posta em cheque e, com ela, a credibilidade do governo em conduzir adequadamente as expectativas econômicas, o que cabalmente provocou o atual estágio de razoável descontrole econômico brasileiro. Por fim, segue cruzamento do ipca com a taxa de câmbio, onde é possível perceber claramente o estrago causado pela interferência política no trabalho do Banco Central a partir de meados de 2012: contínua depreciação cambial e deterioração do índice inflacionário.



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